Em plena era da IA, Apple aposta no feito à mão para apresentar o novo Mac mini
Novo comercial “The Mighty Mac mini” transforma tecnologia em massinha, stop motion e uma boa lição sobre criatividade.
Vivemos um momento em que praticamente qualquer imagem pode ser criada em segundos. Inteligência artificial, computação gráfica e ferramentas cada vez mais avançadas estão transformando a maneira como marcas produzem conteúdo.
E foi justamente nesse cenário que a Apple decidiu seguir na direção oposta.
Para apresentar a nova geração do Mac mini com chip M6, a marca lançou “The Mighty Mac mini”, um filme produzido em claymation — animação em stop motion feita com elementos físicos modelados à mão. (Motion design - STASH)
Tecnologia explicada sem parecer uma ficha técnica
Em vez de simplesmente apresentar números e especificações, o comercial transforma os atributos do computador em metáforas visuais.
O Mac mini ganha músculos e se transforma em um fisiculturista. Depois, vira um carro de corrida. Mais adiante, um foguete pronto para decolar.
Potência, velocidade e performance deixam de ser apenas características técnicas e passam a ser ideias que qualquer pessoa consegue entender em poucos segundos. (Update or Die!)
Essa talvez seja uma das grandes qualidades da campanha: o produto continua sendo protagonista, mas suas características são apresentadas por meio de uma narrativa visual divertida e memorável.
E sim: foi realmente feito à mão
O making of torna a campanha ainda mais interessante.
Personagens, objetos, cenários e elementos gráficos foram construídos fisicamente. A animação foi realizada quadro a quadro, movimentando cuidadosamente cada elemento para criar a ilusão de movimento. A produção levou nove semanas e, segundo a Fast Company, não utilizou CGI ou imagens geradas por IA na animação. (Fast Company)
O filme foi criado pela TBWA\Media Arts Lab, produzido pela Blinkink, dirigido por Nicos Livesey e contou com a Stoopid Buddy Stoodios na produção da animação. (Motion design - STASH)
E é justamente aí que surge uma das contradições mais interessantes da campanha:
um computador que destaca avanços em inteligência artificial sendo apresentado por meio de uma das técnicas mais artesanais da animação.
Quando fazer diferente é parte da ideia
A campanha não é interessante porque rejeita tecnologia.
É interessante porque mostra que criatividade não significa necessariamente utilizar a ferramenta mais nova disponível.
A tecnologia é uma ferramenta. Stop motion também. Papel, fotografia, ilustração, tipografia, vídeo e inteligência artificial também.
A diferença está na ideia que determina qual ferramenta faz mais sentido para contar aquela história.
Quando grande parte do mercado corre para produzir imagens digitais cada vez mais perfeitas, texturas imperfeitas, marcas das mãos e movimentos característicos do stop motion acabam ganhando ainda mais personalidade.
O artesanal, nesse contexto, vira diferenciação.
O que as marcas podem aprender com essa campanha?
Existe uma lição que vai muito além do mercado de tecnologia.
Uma característica de produto pode ser informada ou transformada em experiência.
Dizer que algo é rápido é informação.
Transformá-lo em um carro de corrida é comunicação.
Dizer que algo é poderoso é informação.
Dar músculos a ele é uma ideia.
É essa camada criativa que ajuda uma mensagem a deixar de ser apenas compreendida para também ser lembrada, comentada e compartilhada.
E isso vale para um computador, para uma pizzaria e até para uma caixa de pizza.
Uma embalagem pode simplesmente carregar um produto.
Ou pode carregar uma ideia.
Pode provocar uma reação, convidar para uma interação, contar uma história, gerar uma foto, virar conteúdo e ampliar a experiência que aquela marca entrega ao cliente.
Criatividade também é escolher outro caminho
“The Mighty Mac mini” chega em um momento interessante justamente porque poderia ter sido produzido de inúmeras outras maneiras.
A escolha pelo stop motion faz parte da mensagem.
E talvez essa seja a principal inspiração que fica para quem trabalha com marcas:
quando todo mundo está olhando para a mesma direção, criatividade também é saber olhar para o outro lado.
Porque inovar nem sempre significa fazer algo mais tecnológico.
Às vezes, significa simplesmente encontrar uma maneira que ninguém estava esperando.
Pense fora da caixa.
Conteúdo editorial da DCX Embalagens sobre criatividade, design, marketing e experiências de marca. Apple e Mac mini são marcas e produtos de seus respectivos titulares.
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